A corrida pela presidência da Fifa começa a esquentar antes mesmo de ter um segundo nome oficializado. Lideranças do futebol europeu afirmam, nos bastidores, estar cada vez mais confiantes de que conseguirão apresentar um candidato capaz de desafiar Gianni Infantino na eleição marcada para março de 2027. Até agora, apenas o próprio Infantino formalizou sua candidatura à reeleição.
Figo e Wenger entram na conversa
Nos últimos dias, três nomes passaram a circular como possíveis alternativas ao mandatário atual: o ex-jogador português Luís Figo, o ex-técnico do Arsenal Arsene Wenger e Michele Kang, atual presidente do Lyon. As especulações em torno de Figo e Wenger ganharam tração especialmente na imprensa britânica. A BBC Sport citou uma fonte não identificada que descreveu Wenger como "um candidato ideal, mas um homem independente". O Telegraph também deu força à hipótese.
Há, no entanto, um obstáculo evidente para o nome do francês: desde 2019, Wenger ocupa o cargo de diretor de Desenvolvimento Global de Futebol da própria Fifa, posição que o coloca diretamente subordinado a Infantino - uma circunstância que torna sua eventual candidatura, no mínimo, delicada do ponto de vista institucional.
Já Luís Figo tem um histórico mais direto de oposição. O ex-meia foi um dos primeiros ídolos de projeção mundial a criticar publicamente e de forma contundente a gestão de Infantino à frente da entidade. O The Guardian trata sua candidatura como uma possibilidade real, embora a publicação também lembre que o português é apontado como um possível sucessor de Aleksander Ceferin no comando da Uefa, cargo que ficará vago a partir de 2031.
O prazo que pressiona as federações
O calendário é apertado para quem pretende concorrer. Embora a votação só ocorra em março do próximo ano, o prazo para registrar candidaturas se encerra já no mês que vem. Isso significa que as confederações articuladas contra Infantino - Uefa, Concacaf e boa parte da confederação asiática - precisam decidir rapidamente em torno de um nome único, sob pena de perder a janela de inscrição e deixar o atual presidente sem adversário.
De reeleição tranquila a disputa real
Até meados deste ano, a permanência de Infantino no cargo era tratada como praticamente garantida. O cenário mudou com a proposta, articulada pelo próprio presidente, de vender parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo. A iniciativa provocou reação forte justamente nas três confederações que hoje tentam viabilizar uma candidatura de oposição.
Apesar da resistência, Infantino segue em posição numericamente confortável. A confederação africana garantiu a ele apoio tido como unânime - um bloco que, sozinho, reúne mais da metade dos votos necessários para assegurar a reeleição. A Conmebol, embora sem declarar apoio publicamente, também é vista como aliada do dirigente suíço-italiano. O desenho da disputa, portanto, ainda favorece o atual presidente, mas a mobilização europeia indica que a eleição de março de 2027 não será uma formalidade.