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Infantino é questionado na FIFA sobre prêmio dado a Trump

Gianni Infantino enfrentou questionamentos diretos de membros da FIFA durante uma reunião da entidade, em meio a uma sequência de polêmicas que têm colocado sua gestão sob escrutínio. Entre os temas mais sensíveis está a concessão do Prêmio da Paz da FIFA a Donald Trump, decisão que já vinha sendo criticada por setores da imprensa e, segundo veículos britânicos, também por dirigentes internos da própria federação.

De acordo com a imprensa do Reino Unido, o presidente da FIFA estaria sob pressão de diversos integrantes do comitê para rever essa distinção, seja abolindo-a por completo, seja retirando o caráter político que a atribuição a Trump teria conferido ao prêmio. A informação reforça um cenário de desconforto crescente em relação à forma como Infantino tem conduzido decisões institucionais que extrapolam o campo estritamente esportivo.

O papel do comitê de responsabilidade social

A decisão final sobre o futuro do Prêmio da Paz está nas mãos do grupo de responsabilidade social da FIFA, composto por 22 delegados. Esse colegiado foi encarregado de avaliar a pertinência da distinção concedida a Trump e deve apresentar seu veredito publicamente no dia 16 de dezembro, data da próxima reunião do conselho da FIFA, marcada para Doha, no Catar.

A expectativa em torno desse encontro cresce justamente porque envolve uma instância formal da federação, e não apenas declarações informais de dirigentes. O fato de 22 delegados estarem diretamente envolvidos na análise sinaliza que o tema ganhou peso institucional dentro da FIFA, deixando de ser uma controvérsia apenas externa para se tornar uma pauta interna de revisão.

Polêmicas se acumulam em torno da gestão

O episódio do Prêmio da Paz não surge isolado. Ele se insere em um contexto mais amplo de questionamentos sobre a condução de Infantino à frente da FIFA, com críticas que têm se intensificado nos últimos tempos vindas de diferentes frentes dentro da estrutura da entidade. A reunião recente, na qual o próprio presidente foi confrontado pessoalmente, evidencia que o desconforto já não fica restrito a bastidores ou vazamentos para a imprensa - passou a ser verbalizado diretamente em fóruns oficiais.

Para uma organização que preza por sua imagem de neutralidade política no esporte, a associação de uma honraria da FIFA a uma figura tão polarizadora quanto Trump representa um risco reputacional relevante. Federações nacionais, patrocinadores e torcedores ao redor do mundo observam com atenção como a entidade vai equilibrar relações diplomáticas internacionais com o compromisso declarado de manter o futebol afastado de disputas ideológicas.

O que está em jogo até dezembro

Até a reunião de Doha, a FIFA deve conviver com a incerteza sobre o destino do prêmio e, por extensão, sobre o desgaste político que o episódio pode causar à imagem de Infantino. A decisão dos 22 delegados não é apenas burocrática: ela pode sinalizar até que ponto o comitê está disposto a contrariar publicamente o presidente em uma questão que já ultrapassou o campo esportivo.

O desfecho, esperado para o próximo mês, será acompanhado de perto por dirigentes de federações nacionais, incluindo aquelas ligadas aos mercados que mais têm crescido em relevância para o futebol global, como Brasil, países africanos e a Índia, todos atentos ao modo como a FIFA administra sua credibilidade institucional em meio a tensões políticas cada vez mais presentes no esporte mundial.